Entender por que o sistema imune consegue controlar a infecção em alguns contextos – e, em outros, pode contribuir para o agravamento da doença – é uma das questões abordadas na próxima edição da Série de Seminários CTVacinas. O encontro será realizado na quarta-feira (23), às 16h, no auditório do BH-TEC, com palestra do professor Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).
As inscrições são gratuitas, e os participantes terão direito a certificado digital. A palestra, intitulada “Innate Immunity and Inflammatory Responses in Protective Immunity against Leishmaniasis”, vai apresentar pesquisas sobre os mecanismos acionados pelo organismo diante da infecção por parasitas do gênero Leishmania, com foco na leishmaniose visceral.
Entre proteção e inflamação
Um dos pontos centrais da apresentação será o papel dos inflamassomos, estruturas do sistema imune envolvidas no reconhecimento de infecções e na ativação de respostas inflamatórias. A atuação desses mecanismos, porém, não produz sempre o mesmo efeito.
“A sinalização via inflamassomo pode contribuir para o controle do parasita ou exacerbar a doença, dependendo da espécie de Leishmania, do ambiente tecidual e do contexto inflamatório”, explica Zamboni.
A palestra vai se concentrar especialmente na infecção por Leishmania infantum e na ativação do NLRP3, um dos inflamassomos estudados pelo grupo. O objetivo é compreender como esse processo se relaciona à capacidade do organismo de organizar uma resposta protetora e controlar a presença do parasita.
Uma defesa organizada
Na leishmaniose visceral, parte dessa resposta ocorre por meio da formação dos granulomas hepáticos. Essas estruturas reúnem, de maneira organizada, diferentes células de defesa, como macrófagos, monócitos, linfócitos e neutrófilos.
“Na leishmaniose visceral, a imunidade protetora está estreitamente associada à formação e maturação de granulomas hepáticos”, destaca o pesquisador.
Os dados apresentados vão explorar justamente a relação entre a ativação do NLRP3, a organização desses granulomas e o controle do parasita. Para isso, Zamboni reunirá evidências obtidas a partir de pacientes com leishmaniose visceral ativa, modelos experimentais de infecção e análises de transcriptômica de célula única e transcriptômica espacial.
A investigação busca responder se a atuação dos inflamassomos está ligada não somente à produção de respostas inflamatórias, mas também à forma como as células do sistema imune se distribuem e se organizam nos tecidos durante a infecção.
Pesquisa em imunidade inata
Dario Zamboni é professor titular e chefe do Laboratório de Imunidade Inata e Patogênese Microbiana da FMRP-USP. Doutor em Microbiologia, Imunologia e Parasitologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizou pós-doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, entre 2003 e 2006.
É membro da Academia de Ciências da América Latina (ACAL) e pesquisador bolsista de produtividade do CNPq, nível A. Sua pesquisa se concentra nas interações entre hospedeiros e agentes infecciosos, com ênfase em imunidade inata, patogênese microbiana e doenças inflamatórias.
Série de Seminários
A Série de Seminários CTVacinas promove encontros periódicos com pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento, criando um espaço de troca científica e aproximação entre estudantes, pesquisadores e profissionais ligados à ciência e à saúde.
A iniciativa integra as ações de formação e circulação de conhecimento do CTVacinas, trazendo para o debate temas atuais e diferentes frentes da pesquisa biomédica. Os encontros têm participação gratuita, com direito a certificado digital, e também são transmitidos pelo canal do CTVacinas no YouTube, onde as gravações ficam disponíveis posteriormente.