Uma parcela decisiva da infecção pelo Plasmodium vivax pode permanecer escondida fora da circulação sanguínea, sobretudo na medula óssea, e escapar das medidas convencionais de parasitemia. Os impactos desse reservatório oculto serão discutidos pelo pesquisador Fabio Trindade Maranhão Costa nesta quarta-feira (26), às 16h, no auditório do BH-TEC.
Professor titular de Parasitologia da Unicamp e pesquisador de produtividade nível 1A do CNPq, Costa apresentará a conferência “Tricks, Treats and Threats: The Hidden World of Plasmodium vivax”. A palestra integra a Série de Seminários CTVacinas.
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Parasitas ocultos
A apresentação parte de estudos que estimam a biomassa total do parasita por meio de marcadores encontrados no sangue. Os resultados indicam que a quantidade de Plasmodium vivax presente no organismo pode ser muito maior do que aquela identificada pelos exames que contabilizam apenas os parasitas em circulação.
A principal hipótese aponta para a existência de um reservatório extravascular, especialmente no nicho hematopoético da medula óssea. Segundo as pesquisas, é a biomassa total do parasita, e não apenas sua presença no sangue periférico, que melhor explica a diversidade das respostas apresentadas pelos pacientes.
“Os resultados sugerem que a fisiopatologia do Plasmodium vivax é impulsionada principalmente por cargas parasitárias extravasculares ocultas, provavelmente na medula óssea. Compreender esses mecanismos exige tecnologias transcriptômicas de ponta e ensaios funcionais com aspirados de medula óssea de pacientes infectados”, explica Fabio Costa.
Os estudos identificaram alterações como ativação endotelial, degradação do glicocálix, desregulação de citocinas relacionadas à formação das células sanguíneas, redução acentuada de plaquetas e linfócitos e elevação da proporção entre neutrófilos e linfócitos.
Modelos de aprendizado de máquina também indicaram que a biomassa total é um parâmetro mais eficiente para prever perturbações no equilíbrio do organismo do que as métricas tradicionalmente baseadas na parasitemia periférica.
Recorrências da doença
Outro eixo da palestra abordará os mecanismos que permitem ao parasita permanecer dormente no fígado e provocar novos episódios da doença. Um estudo longitudinal acompanha as recorrências da infecção para identificar fatores de risco por meio de abordagens ômicas, capazes de analisar grandes conjuntos de informações biológicas.
A combinação dessas frentes pode ampliar a compreensão sobre a persistência do Plasmodium vivax no organismo e contribuir para a busca de novas estratégias de diagnóstico, acompanhamento e tratamento da malária.
Trajetória científica
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília, Fabio Costa realizou estágio em biologia molecular de parasitas na Northwestern University, nos Estados Unidos. Obteve o mestrado e o doutorado em Microbiologia, Imunologia e Parasitologia pela Unifesp, com período de formação no Hospital Cochin, em Paris, e fez pós-doutorado no Instituto Pasteur.
Na Unicamp, coordenou o Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular, avaliado com nota máxima pela Capes, e fundou o escritório de ações internacionais do Instituto de Biologia. Também atuou durante seis anos como coordenador da área de Ciências Biomédicas da Fapesp e integrou o Comitê de Assessoramento de Microbiologia e Parasitologia do CNPq.
Sua atuação científica, concentrada nos aspectos imunopatológicos da malária e na busca por novos fármacos, já recebeu o Prêmio Inventores da Inova Unicamp, reconhecimentos de Mérito Científico e Acadêmico da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e o Prêmio Zeferino Vaz, principal honraria da Unicamp para atividades de excelência em pesquisa, ensino e extensão.
Série de Seminários
Inscreva-se aqui para participar da conferência, nesta quarta-feira (26), às 16h, no auditório do BH-TEC.
A Série de Seminários CTVacinas reúne pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde e integrantes do ecossistema de inovação para discutir temas estratégicos relacionados a vacinas, RNA, imunologia, doenças infecciosas, biotecnologia e saúde pública.