Vista aérea da construção do Centro Nacional de Vacinas

Novo centro de RNA marca mudança de patamar da ciência brasileira e será coordenado pelo CTVacinas

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“Aumenta a autonomia nacional e a capacidade de resposta a futuras pandemias.” Com essa definição, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, resume o impacto de uma iniciativa que reposiciona o Brasil em uma das áreas mais avançadas da biotecnologia: a criação do Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA.

Responsável pela coordenação do novo centro, o CTVacinas foi selecionado em um processo nacional competitivo, consolidando seu protagonismo em uma área considerada estratégica para o futuro da saúde pública e da soberania científica do país.

Um projeto estratégico para o país

A criação do centro faz parte de uma política nacional voltada ao fortalecimento da capacidade científica e tecnológica do Brasil em áreas críticas para o SUS e para a soberania nacional.

Tecnologias baseadas em RNA ganharam protagonismo global após a pandemia de Covid-19, ao viabilizar o desenvolvimento rápido de vacinas altamente eficazes. Desde então, países e empresas passaram a investir fortemente nessa plataforma, que também abre caminho para novas terapias.

É nesse cenário que o Brasil passa a estruturar sua própria capacidade de desenvolvimento — e o CTVacinas assume um papel central nesse movimento.

Seleção nacional e protagonismo científico

A definição do centro foi feita por meio de edital do Ministério da Saúde, em parceria com a Embrapii, voltado à criação de estruturas capazes de desenvolver tecnologias avançadas em saúde.

A proposta liderada pelo CTVacinas reuniu pesquisadores da própria UFMG, além de parcerias com instituições nacionais e internacionais, como USP, universidades dos Estados Unidos e centros de pesquisa especializados.

A escolha reflete uma trajetória consolidada.

“A gente conseguiu demonstrar não só a capacidade técnica, mas uma história consistente de desenvolvimento de vacinas e terapias baseadas em RNA. Isso foi decisivo para a escolha”, resume o coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli.

Estrutura e operação

O novo centro será implantado dentro da estrutura do CTVacinas, no BH-TEC, e terá expansão no futuro prédio do Centro Nacional de Vacinas. A coordenação será de Santuza Teixeira, integrante do comitê gestor do Centro e professora da UFMG.

O quarto andar do novo complexo será dedicado às atividades do centro, que também compartilhará laboratórios já existentes.

A operação começa ainda neste semestre, com expansão gradual até atingir sua capacidade máxima entre 2026 e 2027, com a conclusão das novas instalações.

O investimento previsto é de R$ 60 milhões ao longo de quatro anos, com aporte equivalente do próprio CTVacinas.

A governança será compartilhada entre o CTVacinas e o novo centro, com atuação em rede com instituições nacionais e internacionais.

Do laboratório ao paciente

O foco do centro é claro: transformar pesquisa em solução concreta.

A estrutura permitirá levar projetos desde a prova de conceito até ensaios clínicos — etapa crítica para que vacinas e terapias cheguem à população.

“Esse é um salto importante. A gente passa a ter condições de avançar com vários projetos ao mesmo tempo e levar essas soluções até o paciente”, destaca Gazzinelli.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de vacinas de RNA para malária e influenza — além de projetos em andamento para doenças como Chagas, leishmaniose e chikungunya.

No caso da influenza, a tecnologia de RNA permite atualizações mais rápidas, alinhadas às variantes em circulação no país — um avanço estratégico para o SUS.

Parcerias, formação e inovação

O centro também nasce com um objetivo claro: aproximar ciência e indústria.

A proposta prevê a ampliação do co-desenvolvimento com empresas, além da formação de profissionais altamente qualificados em uma tecnologia ainda restrita a poucos grupos no Brasil.

“O objetivo é atrair empresas para desenvolver tecnologia junto com a gente e formar pessoas preparadas para atuar nesse mercado. Isso é fundamental para o país”, explica Santuza Teixeira, coordenadora do centro de referência em RNA.

A iniciativa inclui ainda intercâmbio internacional, com envio de pesquisadores para centros avançados e atração de especialistas estrangeiros.

Um novo lugar para o Brasil no cenário global

Mais do que um avanço científico, a criação do centro representa uma mudança de posição do Brasil no cenário internacional.

“Isso coloca o Brasil dentro do cenário global de vacinas e terapias de RNA. É uma oportunidade de avançar em uma tecnologia estratégica em um momento em que há uma reconfiguração desse campo no mundo”, destaca Santuza Teixeira.

Com a nova estrutura, o país passa a ter condições de desenvolver tecnologias críticas internamente — reduzindo dependências externas e ampliando sua capacidade de resposta a emergências sanitárias.

Ciência, inovação e soberania

A criação do Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA consolida um movimento mais amplo: o de transformar conhecimento científico em capacidade produtiva e autonomia tecnológica.

Ao assumir a coordenação dessa iniciativa, o CTVacinas reforça seu papel como um dos principais centros de inovação em saúde do país — e coloca o Brasil em um novo patamar na corrida global por soluções em biotecnologia.

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