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10 anos do CTVacinas: INCTV reúne ciência, indústria e governo para discutir avanços e oportunidades

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O CTVacinas vai marcar seus 10 anos reunindo pesquisadores, representantes do poder público e da indústria farmacêutica para discutir os próximos passos de tecnologias em saúde desenvolvidas no Brasil. A celebração será integrada à Reunião Anual do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT Vacinas), de 4 a 6 de novembro de 2026, em Belo Horizonte, com atividades na UFMG e no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

O número máximo de vagas para participação do evento foi atingido, por isso, as inscrições foram encerradas.

O encontro acontece em um momento de avanços que ajudam a dimensionar essa trajetória. A SpiN-TEC, primeira vacina inteiramente desenvolvida no Brasil a chegar aos testes em humanos, concluiu as fases 1 e 2. Neste mês de outubro, a Vivaxin, desenvolvida em parceria com a USP e o laboratório Cristália, recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a avaliação clínica contra a malária causada pelo Plasmodium vivax.

Mãos seguram frascos de vacinas desenvolvidas pelo CTVacinas
Avanços das vacinas SpiN-TEC e Vivaxin dimensionam o crescimento do CTVacinas na ciência nacional | Gustavo Andrade/BH-TEC

“A rede avançou muito em pesquisas relacionadas a vacinas e imunologia, mas havia um grande impedimento: transformar esse conhecimento em produtos e avançar para os ensaios clínicos. O CTVacinas foi criado com o foco de receber ideias das universidades que já haviam passado pela prova de conceito e desenvolver essas tecnologias”, afirma Ricardo Gazzinelli, coordenador do Centro.

Com cinco mesas-redondas e uma série de conferências, a programação vai conectar a avaliação de resultados científicos ao debate sobre políticas públicas, produção nacional e transferência de tecnologia. Vacinas, diagnósticos, tecnologias de RNA, anticorpos e inteligência artificial estão entre os temas de um encontro voltado a fortalecer colaborações e aproximar a pesquisa das necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estrutura para novos avanços

A década de trabalho também se projeta na construção do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), no BH-TEC. A futura infraestrutura vai ampliar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento e contará com uma planta para produzir lotes de vacinas destinados a ensaios clínicos. A proposta é enfrentar um gargalo entre a descoberta acadêmica e os estudos em pessoas, apoiando projetos do CTVacinas e de outras instituições brasileiras.

imagem drone obras CNV
Centro Nacional de Vacinas ampliará a infraestrutura de pesquisa do CTVacinas | Equipe de engenharia e arquitetura da FUNDEP

Outra frente é o Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), coordenado por Santuza Teixeira e vinculado ao CTVacinas. Com investimento previsto de R$ 60 milhões do Ministério da Saúde em quatro anos, a iniciativa já atua nos laboratórios do Centro e terá espaço no futuro CNVacinas, com foco no desenvolvimento de tecnologias, na formação de profissionais e na cooperação com empresas.

Essas capacidades estarão em discussão desde a abertura do evento e poderão ser conhecidas durante a visita ao CTVacinas e às obras, prevista para a tarde do primeiro dia. O roteiro aproxima os debates científicos da estrutura que está sendo consolidada para dar continuidade ao desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e terapias.

Da rede ao CTVacinas

A integração que dá forma ao encontro começou antes da criação do Centro. A origem da rede remonta a 2005, com o Instituto do Milênio de Vacinas, que articulou pesquisadores de instituições como Fiocruz, UFMG, USP, Unifesp, UFRJ e Universidade Federal de Santa Catarina. Em 2009, o grupo passou a constituir o INCT Vacinas, renovado em 2016 e 2024.

Trajetória INCTV e CTVacinas
Trajetória do CTVacinas é fruto de colaboração científica entre diversas instituições | CTVacinas/Divulgação

“Considero o CTVacinas uma spin-off do INCT Vacinas. Com sua criação pela UFMG, em 2016, a rede passou a contar com uma estrutura física dedicada ao desenvolvimento de produtos”, explica Gazzinelli. O termo descreve, nesse contexto, o desdobramento da colaboração científica em um centro voltado a dar continuidade tecnológica às descobertas realizadas nas universidades.

Nos primeiros anos, entre 2016 e 2019, a disponibilidade de recursos direcionou o trabalho principalmente para diagnósticos. A pandemia, a partir de 2020, ampliou os investimentos e a capacidade de desenvolver vacinas, com apoio de diferentes esferas do poder público.

Gazzinelli destaca a participação dos governos federal e estadual, da Prefeitura de Belo Horizonte, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e do Congresso Nacional, incluindo a bancada mineira.

“O INCT Vacinas desenvolve pesquisa básica para compreender os mecanismos das doenças e da resistência a elas. O CTVacinas é o espaço em que avançamos na absorção de tecnologias e no desenvolvimento de produtos”, resume o coordenador.

A experiência acumulada nesse percurso sustentou a chegada da SpiN-TEC à etapa clínica, autorizada em 2022, e o avanço da Vivaxin em 2026.

Da bancada ao ensaio clínico

A abertura científica será realizada na quarta-feira, 4 de novembro, no Centro de Atividades Didáticas 3 (CAD3) da UFMG. Após a recepção, às 9h30, as boas-vindas estão previstas para as 10h, com Gazzinelli e Fernando Reis, pró-reitor de Pesquisa da Universidade. Na sequência, o coordenador apresentará a trajetória do INCT Vacinas e do CTVacinas, e Santuza Teixeira discutirá as perspectivas do Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA.

PROGRAMAÇÃO 10 ANOS CTVACINAS - 2026 (primeiros dias)
Acompanhe a programação da celebração, integrada à Reunião Anual do INCT Vacinas, de 4 a 6 de novembro | CTVacinas/Divulgação

A passagem da pesquisa aos estudos em pessoas terá duas conferências ainda pela manhã. Helton Santiago, diretor científico do CTVacinas e professor da UFMG, abordará os ensaios clínicos para o desenvolvimento de vacinas. Irene Soares, da USP e parceira do Centro, apresentará o percurso da Vivaxin da bancada ao teste clínico, conectando a programação a uma das conquistas mais recentes da instituição.

Ciência e produção nacional

Na tarde do dia 4, as atividades serão transferidas para o BH-TEC. A mesa sobre o impacto das políticas públicas de saúde e a importância da nacionalização reunirá representantes do Ministério da Saúde, da Fapemig, da UFMG e da indústria farmacêutica, com discussão sobre os caminhos para transformar conhecimento científico em capacidade de desenvolvimento e produção no país.

Participam Igor Bueno, do Ministério da Saúde; Luiz Gustavo Cançado, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig; Fernando Reis; Renato Alves, presidente da Hipolabor; e Walker Lahmann, diretor-executivo da Eurofarma. As apresentações vão abordar o complexo econômico-industrial da saúde, a transformação econômica a partir da ciência e os programas de inovação e parcerias.

A relação entre pesquisa e fabricação também será tratada por Vitor Rezende, da Thermo, em conferência sobre vacinas de RNA. Em seguida, a visita às instalações do CTVacinas e às obras permitirá aos participantes acompanhar a expansão da infraestrutura associada a essa agenda.

Doenças parasitárias e virais

Na quinta-feira, dia 5, a programação retorna ao CAD3, a partir das 9h, com uma mesa sobre imunologia e vacinas para doenças parasitárias. Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, abordará a imunidade inata e as respostas inflamatórias na infecção por Leishmania. Maria Bellio, da UFRJ, discutirá as células T CD4 citotóxicas, um tipo de célula de defesa encontrado no coração na doença de Chagas.

As contribuições do CTVacinas nesse campo serão apresentadas por Ana Paula Fernandes, com inovações no tratamento da leishmaniose, e Mayra Ricci, que abordará uma vacina terapêutica de RNA mensageiro em desenvolvimento para o controle da doença de Chagas. A malária também estará em pauta na conferência de Daniel Bargieri, da USP, sobre novos alvos vacinais.

À tarde, a mesa sobre doenças virais reunirá estudos com diferentes estratégias de vacinação. Entre os temas estão as respostas imunológicas às vacinas contra a Covid-19, apresentadas por Andrea Teixeira, da Fiocruz; uma candidata de RNA mensageiro contra a dengue baseada na proteína E80, com Nathália Pereira, do CTVacinas; e uma proposta de vacina bivalente contra influenza e Covid-19, apresentada por Lidia Faustino, do CTVacinas e da Fiocruz.

Inteligência artificial e genômica

A programação também vai discutir ferramentas que ampliam as possibilidades de investigação e desenvolvimento em saúde. Na manhã do dia 5, Wagner Meira, da UFMG, apresentará desafios e tendências relacionados à segurança da inteligência artificial nessa área.

O bloco sobre genoma e função, à tarde, incluirá o Projeto Genomas SUS e uma conferência de Bruno Cossermelli Vellutini, da UFMG, sobre a influência de fatores genéticos na evolução da morfogênese, processo de formação das estruturas dos organismos. Ao fim do dia, das 17h às 19h30, haverá apresentação de pôsteres científicos e uma atividade de confraternização.

Diagnóstico e novos tratamentos

A sexta-feira, dia 6, começa às 9h, no CAD3, com uma mesa sobre anticorpos monoclonais e diagnóstico. Edmilson Domingos da Silva, de Bio-Manguinhos/Fiocruz, apresentará resultados e perspectivas da parceria com o CTVacinas. Thiciany Lopes discutirá os desafios de levar um teste rápido da pesquisa e desenvolvimento ao registro, e Julia Sampaio abordará a sorologia para malária vivax no contexto da eliminação da doença.

PROGRAMAÇÃO 10 ANOS CTVACINAS - 2026 (dia final)
Acompanhe a programação da celebração, integrada à Reunião Anual do INCT Vacinas, de 4 a 6 de novembro | CTVacinas/Divulgação

O bloco inclui ainda os trabalhos de Bruno Valiate com anticorpos monoclonais no CTVacinas e a pesquisa com anticorpos equinos apresentada por Liza Felicori Vilela, da UFMG. A sequência evidencia a diversidade de plataformas mobilizadas pela rede para investigar doenças e desenvolver ferramentas de diagnóstico e tratamento.

Ainda pela manhã, Pedro Mendes, da Unicamp, discutirá imunometabolismo e tecnologias de RNA. Daniel Ken Inaoka, da Universidade de Nagasaki, no Japão, apresentará pesquisas para a descoberta de fármacos contra a malária e doenças causadas por tripanossomas, acrescentando uma perspectiva internacional às discussões.

Descobertas que orientam tecnologias

A relação entre pesquisa básica e aplicações em saúde voltará à pauta na tarde do dia 6. Caroline Junqueira, do CTVacinas e da Fiocruz, abordará como a investigação fundamental sustenta o desenvolvimento de vacinas contra doenças infecciosas. Pedro Guimarães, do CTVacinas e da UFMG, discutirá o uso de nanocarreadores lipídicos e ácidos nucleicos em terapias e vacinas.

A última mesa-redonda será dedicada ao desenho racional de alvos para diagnósticos, vacinas e terapias. Participam Daniella Bartolomeu, da UFMG; Daniel Menezes, do CTVacinas e da UFMG; Helder Veras Filho, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM); Nilmar Moretti, da Unifesp; e Rafaela Ferreira, da UFMG.

O bloco reunirá abordagens como o uso de inteligência artificial para estudar e planejar o reconhecimento imunológico, alterações que afetam o funcionamento do RNA na interação entre Leishmania e hospedeiro e a integração de IA e modelagem molecular no desenvolvimento de fármacos. As apresentações conectam a identificação de mecanismos biológicos à busca de novos alvos e estratégias de intervenção.

Colaboração para os próximos anos

Das 16h30 às 18h30 de sexta-feira, os grupos do INCT Vacinas vão discutir os principais resultados e as perspectivas futuras da rede. O espaço será dedicado à troca de experiências e à identificação de oportunidades de colaboração, buscando articular os diferentes temas apresentados ao longo dos três dias.

“O INCT Vacinas e o CTVacinas trabalham de forma muito integrada. Na reunião anual, discutimos os resultados e os avanços, sempre com uma participação expressiva do Centro”, afirma Gazzinelli. Nesta edição, o balanço da rede se soma à celebração de uma década de construção da capacidade de levar descobertas acadêmicas ao desenvolvimento de tecnologias em saúde.

O encerramento científico está previsto para as 18h30 do dia 6. No sábado, 7 de novembro, a programação inclui uma atividade cultural com passeio ao Inhotim, das 9h às 17h.

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