O CTVacinas passa a integrar um consórcio internacional liderado pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de Oxford, para o desenvolvimento de vacinas contra o câncer, uma das frentes mais promissoras da ciência em saúde pública.
O movimento ocorre após a formalização da parceria entre Brasil e Reino Unido, em dezembro do ano passado, e ganha escala com a mobilização recente de instituições e pesquisadores em agendas realizadas no país ao longo deste mês.
A iniciativa busca avançar no desenvolvimento de imunizantes capazes de orientar o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais, ampliando as possibilidades de prevenção e tratamento da doença .
A articulação reúne centros de pesquisa, hospitais e instituições estratégicas em torno de três eixos principais: avanço científico em imunologia e oncologia, uso de inteligência artificial para vacinas personalizadas e aceleração de ensaios clínicos .
“Os esforços são para avançarmos em um modelo de tratamento mais preciso e menos invasivo. É um passo relevante rumo a terapias mais seguras, que priorizam a qualidade de vida durante o tratamento e apontam para uma nova perspectiva no cuidado oncológico”, afirmou a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri .

CTVacinas na linha de frente
Nesse cenário, o CTVacinas entra como um dos atores-chave na etapa mais sensível do processo: a transição da pesquisa para os testes em humanos.
“O CTVacinas entra com uma expertise consolidada em ensaios clínicos, tanto no desenho quanto nos aspectos regulatórios. Isso permite acelerar pesquisas já em desenvolvimento e conectar a ciência à aplicação concreta no sistema de saúde”, explica Renan Pedra, coordenador do CTVacinas.
A participação está diretamente ligada à capacidade instalada do centro, construída ao longo de anos de atuação em desenvolvimento de vacinas e estudos clínicos, um ativo que passa a ser mobilizado em uma agenda de impacto global.
Responsável pela primeira vacina 100% desenvolvida no Brasil a chegar aos testes clínicos em humanos, o CTVacinas lidera a instalação do Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA e será transformado no Centro Nacional de Vacinas – um complexo inédito no país para ampliar a soberania brasileira na produção de imunizantes e testes diagnósticos.
O primeiro alvo
Entre as frentes mais avançadas está o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Epstein-Barr (EBV), associado a diferentes tipos de câncer, como linfomas e tumores nasofaríngeos .
A expectativa inicial é que o consórcio avance para ensaios clínicos envolvendo esse imunizante, em uma estratégia que combina pesquisa internacional com execução local, incluindo a participação brasileira na condução dos estudos.

“O foco inicial é avançar para um ensaio clínico de vacina contra o vírus Epstein-Barr (EBV), uma das frentes mais avançadas do consórcio. O CTVacinas contribui diretamente nessa etapa, especialmente no desenho e na condução dos estudos clínicos”, afirma Renan Pedra.
O modelo também busca responder a uma limitação histórica da ciência global: a predominância de dados de populações do Norte Global, o que pode reduzir a eficácia de terapias em países como o Brasil.
Ecossistema mobilizado
A articulação envolve instituições como Fiocruz, CNPEM, hospitais de excelência e centros de pesquisa, consolidando um ecossistema nacional voltado à inovação em saúde.
Parte dessa mobilização ocorreu em agendas realizadas no Brasil ao longo de abril, incluindo encontros no Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo, com participação de pesquisadores brasileiros e britânicos.
Um desses encontros ocorreu neste mês, no A.C.Camargo Cancer Center, referência nacional em oncologia e modelo de integração entre assistência, pesquisa e ensino, ambiente estratégico para discussões sobre o futuro das vacinas contra o câncer.
Impacto para a saúde pública
Diferentemente das vacinas tradicionais, que atuam contra agentes infecciosos, os imunizantes contra o câncer funcionam como um “guia” para o sistema imunológico, ajudando o organismo a identificar células tumorais que antes passavam despercebidas .
A expectativa é que essa abordagem amplie as possibilidades de prevenção e tratamento, com terapias mais precisas e menos agressivas do que métodos convencionais, como quimioterapia e radioterapia.