Caroline Junqueira e Luna Lacerda na mesa de abertura da Semana do Conhecimento UFMG

Pesquisadoras do CTVacinas abrem Semana do Conhecimento da UFMG e defendem mulheres na liderança científica

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Duas cientistas que participam do desenvolvimento de uma candidata a vacina universal contra a malária levaram suas trajetórias à abertura de um dos eventos mais tradicionais da UFMG. A pesquisadora Luna Lacerda e a pesquisadora associada Caroline Junqueira representaram o CTVacinas na mesa inaugural da Semana do Conhecimento, nesta segunda-feira (19), em um debate sobre avanços científicos, formação de novas gerações e os obstáculos enfrentados pelas mulheres na pesquisa.

As duas estão entre as protagonistas do estudo que fundamenta o desenvolvimento da UniMav, publicado em julho na Nature, uma das revistas científicas de maior prestígio do mundo. O trabalho marcou a primeira publicação na revista com liderança integralmente formada por mulheres brasileiras, reunindo Luna e Camila Barbosa entre as primeiras autoras e Caroline como autora sênior.

Mesa da Abertura da Semana do Conhecimento UFMG
Três gerações de pesquisadoras de malária integram Mesa de Abertura da Semana do Conhecimento UFMG | Raphaella Dias/UFMG

Realizada no auditório da Reitoria, no campus Pampulha, a mesa reuniu três gerações de pesquisadoras especializadas em malária. Além das representantes do CTVacinas, participou, por videoconferência, Antoniana Ursine Krettli, professora aposentada da UFMG e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz. A mediação foi conduzida pela vice-reitora Alamanda Kfoury Pereira.

“A ideia dessa mesa-redonda era compartilhar nossas experiências como mulheres na pesquisa, tendo a malária como tema central. Reunir três gerações de pesquisadoras mostra a importância de fazer ciência de forma perene, capaz de transcender gerações”, afirma Caroline.

Da formação à liderança

Para Caroline, a presença de mulheres na pós-graduação precisa se traduzir também em oportunidades para conduzir equipes e definir os rumos da ciência. A pesquisadora destaca que, embora sejam maioria nesse espaço de formação, as mulheres ainda não encontram a mesma representação nos postos de liderança.

Essa distância faz da orientação acadêmica uma responsabilidade que vai além dos resultados de cada projeto. Ao formar novas cientistas, Caroline busca criar condições para que elas avancem sem enfrentar as mesmas barreiras que marcaram sua trajetória.

Caroline Junqueira destaca a importância de pesquisas perenes, que alcancem as próximas gerações | Raphaella Dias/UFMG

“Meu papel como chefe de grupos de pesquisa é fazer com que meus alunos e orientandos, principalmente as mulheres, não vivenciem as dificuldades que eu vivenciei e possam, geração após geração, alcançar postos de liderança”, ressalta.

O relato de Antoniana mostrou como essas barreiras atravessam décadas. A pesquisadora contou que, no início da carreira, foi impedida pelo orientador de estudar a doença de Chagas por ser mulher e pela possibilidade de engravidar. A experiência direcionou sua atuação para a malária e marcou uma trajetória construída em meio ao enfrentamento do preconceito de gênero.

Uma descoberta construída entre gerações

A continuidade defendida na mesa também faz parte da história da pesquisa ligada à UniMav. Ao longo de mais de uma década, o trabalho reuniu a formulação de uma hipótese científica, a identificação de componentes do parasita reconhecidos pelo sistema imunológico e o desenvolvimento de vacinas experimentais. Caroline orientou pesquisadoras que assumiram etapas complementares dessa investigação, entre elas Camila e Luna.

Caroline Junqueira e Luna Lacerda representam CTVacinas na Semana do Conhecimento UFMG
Caroline Junqueira e Luna Lacerda, pesquisadoras da UniMav, representam a continuidade das pesquisas discutida durante mesa de abertura | Raphaella Dias/UFMG

Publicado na Nature, o estudo identificou antígenos – ou seja, componentes capazes de ser reconhecidos pelo sistema de defesa – compartilhados por diferentes espécies e fases do parasita causador da malária. A descoberta abre caminhos para desenvolver imunizantes com proteção mais ampla contra a doença.

É nesse percurso que se insere a UniMav, candidata vacinal em desenvolvimento pelo CTVacinas. A proposta busca transformar o conhecimento produzido pela pesquisa básica em uma tecnologia de prevenção, cuja segurança e eficácia em pessoas ainda precisam ser avaliadas em ensaios clínicos.

Ciência que inspira novas trajetórias

Com o tema “Mulheres na ciência: trajetórias que inspiram, conhecimento que transforma”, a Semana do Conhecimento reúne trabalhos de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos, além de debates sobre a produção científica e sua relação com a sociedade.

Na abertura, Luna abordou o caminho entre as descobertas no laboratório e o desenvolvimento de vacinas, destacando a capacidade brasileira de produzir conhecimento e transformá-lo em tecnologia. Para a pesquisadora, compartilhar essas experiências também ajuda quem está começando a reconhecer possibilidades de atuação na ciência.

Luna Lacerda na Mesa de Abertura da Semana do Conhecimento UFMG
Luna Lacerda destaca a importância da ciência nacional | Raphaella Dias/UFMG

“É muito importante transmitir às próximas gerações a importância de fazer ciência e de investir na pesquisa. Fazer ciência no Brasil é um ato revolucionário. Temos capacidade, biodiversidade e competência para isso”, afirma.

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