Laboratório do CTVacinas

Após destaque na Nature, CTVacinas prepara testes em humanos de candidata à vacina contra a malária

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Depois de protagonizar uma descoberta publicada na Nature que preenche uma lacuna histórica de quase um século na pesquisa da malária, o CTVacinas já trabalha na próxima etapa: levar a candidata vacinal UniMav aos primeiros testes em humanos. A expectativa da equipe é concluir os estudos exigidos pela Anvisa em 2027 e iniciar os ensaios clínicos logo em seguida.

O avanço representa um novo capítulo da pesquisa liderada por Caroline Junqueira, com participação das pesquisadoras Camila Barbosa Dias e Luna Lacerda. Ao mesmo tempo em que consolida uma tecnologia 100% nacional, o projeto enfrenta um desafio decisivo para continuar avançando: garantir financiamento para a primeira fase dos estudos clínicos.

A descoberta publicada na principal revista científica do mundo identificou novos alvos imunológicos para o desenvolvimento de vacinas potencialmente mais amplas e eficazes contra a malária. O trabalho recebeu ainda um artigo News & Views da própria Nature, no qual as editoras destacaram que a pesquisa preenche uma lacuna histórica no desenvolvimento de imunizantes contra a doença.

Da descoberta ao desenvolvimento

Segundo Caroline Junqueira, o desenvolvimento da vacina começou antes mesmo da conclusão de todas as etapas da pesquisa científica.

“Paralelamente a esse estudo que nós desenvolvemos, já fomos dando o próximo passo. A gente identificou esses antígenos e, na primeira caracterização que fizemos, já vimos que eles eram promissores. Então eu não esperei terminar toda a caracterização para começar o desenvolvimento das vacinas.”

Ao todo, a equipe formulou dez candidatas vacinais utilizando os antígenos identificados na pesquisa. Quatro apresentaram resultados considerados promissores, mas apenas uma foi selecionada para seguir adiante.

“A gente selecionou a melhor, que sempre demonstrou predominância nos estudos. Essa vacina é a UniMav, que já foi testada em modelos de camundongos e também em primatas não humanos, com resultados muito positivos.”

Próxima parada: Anvisa

Além dos estudos de eficácia, a equipe já concluiu etapas fundamentais para o desenvolvimento da candidata vacinal, como a produção em Boas Práticas de Laboratório (BPL), os ensaios de estabilidade do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) e da formulação.

O próximo passo será a realização dos estudos de toxicidade in vivo. Concluída essa etapa, os pesquisadores poderão encaminhar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM), documento necessário para solicitar autorização para os ensaios clínicos em humanos.

Luna Lacerda explica que a expectativa é iniciar esse processo regulatório até 2027. Se todas as etapas forem aprovadas, a previsão é vacinar o primeiro voluntário cerca de um ano e meio depois.

Foto da fachada de unidade da Anvisa
Após conclusão dos estudos de toxicidade in vivo, próximos passos envolvem aprovação da Anvisa. Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O desafio agora está fora do laboratório

Apesar do avanço científico, a continuidade do projeto depende da obtenção de novos recursos.

Segundo Caroline, o grupo já possui financiamento para concluir os estudos necessários antes da submissão do dossiê regulatório, mas ainda busca apoio para viabilizar a primeira fase dos ensaios clínicos.

“Estamos correndo atrás de recursos para a fase 1. Já temos financiamento para concluir os estudos e fazer o pedido junto à Anvisa, mas ainda precisamos desse suporte para caminhar com essa tecnologia nacional, essa vacina 100% brasileira contra a malária.”

Para a pesquisadora, o reconhecimento internacional conquistado pela equipe reforça a importância de garantir condições para que uma descoberta feita no Brasil continue avançando.

“O estudo mostrou que a ciência brasileira pode responder a desafios globais. Agora, precisamos dar o próximo passo para transformar esse conhecimento em uma vacina que possa chegar às pessoas.”

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