Quem coordena os testes clínicos da SpiN-TEC passa a contribuir diretamente para a definição das diretrizes éticas das pesquisas com seres humanos no Brasil. Helton Santiago, professor da UFMG, um dos coordenadores e diretor científico do CTVacinas, foi nomeado para integrar a Instância Nacional de Ética em Pesquisa (Inaep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.
A nova composição do colegiado foi definida por meio de edital público e reúne 30 representantes da comunidade científica – 15 titulares e 15 suplentes – de todas as regiões do país. O grupo reúne diferentes formações, áreas do conhecimento e experiências profissionais.
“Participar da Inaep é um serviço que prestamos à comunidade científica e à sociedade brasileira. Nosso papel é contribuir para que a pesquisa clínica no país seja conduzida de acordo com a Lei 14.874, com as melhores diretrizes éticas e com os padrões internacionais”, afirma Helton.
Diretrizes para o país
Instituída em 2024, a Inaep integra o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (Sinep). Cabe ao órgão orientar e definir as diretrizes éticas aplicadas às pesquisas científicas que envolvem pessoas no Brasil.
A atuação do colegiado está inserida no novo marco regulatório estabelecido pela Lei 14.874, que regulamenta a pesquisa com seres humanos e organiza o sistema nacional responsável pela análise ética dos estudos.
“Esse novo marco regulatório aproxima o país das melhores práticas internacionais, fortalece a confiança da sociedade na ciência e cria condições para que o Brasil amplie sua participação em estudos multicêntricos”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o acolhimento dos novos integrantes.
Entre novembro de 2025 e julho de 2026, mais de 59 mil pesquisas envolvendo seres humanos foram aprovadas no país. Atualmente, o sistema reúne 915 Comitês de Ética em Pesquisa credenciados e mais de 16 mil profissionais.
Diversidade no colegiado
Além dos representantes da comunidade científica, a Inaep conta com integrantes dos ministérios da Saúde, da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação; da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap); e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

A seleção dos especialistas considerou critérios como formação acadêmica, qualificação técnico-científica, experiência profissional em pesquisas com seres humanos e atuação em Comitês de Ética em Pesquisa. O edital também estabeleceu requisitos de diversidade regional, étnico-racial e de gênero. A participação no colegiado é voluntária e não remunerada.
“A Inaep se fortalece ao congregar diferentes perspectivas e trajetórias, o que amplia o diálogo para o desenvolvimento da pesquisa científica”, destaca a coordenadora da instância, Meiruze Freitas.
Experiência clínica
No CTVacinas, Helton Santiago reúne a atuação científica ao acompanhamento de uma das etapas mais sensíveis do desenvolvimento de uma vacina: os testes em seres humanos. Ele coordena os ensaios clínicos da SpiN-TEC, primeira vacina integralmente desenvolvida no Brasil a chegar a essa fase de avaliação.
Essa experiência permitirá que o pesquisador contribua para as discussões da Inaep a partir dos desafios concretos envolvidos na condução de estudos clínicos, como a proteção dos participantes, a qualidade científica dos protocolos e o cumprimento das exigências éticas e regulatórias.
“É uma honra fazer parte da Inaep e também um dever como cidadão e pesquisador. Participar desse processo é uma forma de contribuir para o amadurecimento da ciência nacional e para a qualidade da pesquisa realizada no país”, afirma.
Reconhecimento internacional
O alinhamento aos padrões internacionais de ética é decisivo tanto para proteger os participantes dos estudos quanto para ampliar a confiança nos resultados produzidos pelas instituições brasileiras. Também favorece a inserção do país em pesquisas multicêntricas, conduzidas simultaneamente em instituições e países diferentes.
“Garantir que a ética em pesquisa no Brasil esteja alinhada aos padrões internacionais é extremamente importante para que a ciência produzida no país seja, de fato, reconhecida mundialmente”, ressalta Helton.
A nova composição da Inaep realizou sua primeira reunião ordinária com todos os membros em Brasília. Para Helton, o início dos trabalhos representa a oportunidade de colaborar com a construção de um sistema capaz de conciliar o avanço da ciência, o rigor ético e a proteção das pessoas que participam das pesquisas.