“Nós confiamos no CTVacinas, nos orgulhamos do CTVacinas, confiamos em vocês”. Essa foi a frase que praticamente encerrou a audiência pública, realizada nesta quinta-feira (15), cujo tema foi justamente o trabalho realizado pelo futuro Centro Nacional de Vacinas.
A atividade para prestar contas à sociedade mineira e exaltar os marcos históricos alcançados pelo CTVacinas foi convocada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas (ALMG).
“Muito obrigada por tudo o que vocês desenvolvem e continuem! Continuem! É o que nos dá esperança de que em próximos momentos, de crises que possamos enfrentar, com epidemias e novas pandemias, teremos uma retaguarda que vai rapidamente nos proteger”, afirmou a presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira, autora da frase que abre este texto.
O começo
Integrantes do Comitê Gestor do CTVacinas abordaram aspectos diversos relacionados ao centro. Santuza Teixeira recordou que os trabalhos começaram há 20 anos, com pesquisadores atuando com foco em doenças como leishmaniose, dengue e hepatites.

Por atender a normas rigorosas de padrão internacional, o Centro obteve certificado de boas práticas laboratoriais. A professora da UFMG também explicou as etapas já superadas pela SpiN-TEC.
“É interessante observar que toda a população agora já sabe que vacina passa por três fases e é por causa disso que as vacinas são seguras”, pontuou, ao citar também outros imunizantes em fase avançada de desenvolvimento, como a da malária, leishmaniose humana e Doença de Chagas.
Vanguarda
O coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, por sua vez, reforçou o papel de vanguarda realizado pelo Centro ao focar em vacinas e testes diagnósticos para doenças negligenciadas.
“As grandes farmacêuticas não vão desenvolver vacinas contra essas doenças, pois elas não atingem os países de onde são”, reforçou.

Além do combate a doenças negligenciadas, Gazzinelli reforçou a importância do CTVacinas contribuir para que o país esteja mais preparados para enfrentar possíveis novas pandemias.
Único no mundo
Ana Paula Fernandes, também integrante do comitê, detalhou o setor de desenvolvimento de testes diagnósticos. Citou duas tecnologias ainda inexistentes no planeta: teste rápido para mpox e diagnóstico para hepatite D.

“No caso da mpox, vai ser possível coletar amostra da lesão e o teste rápido já apresentar o resultado na hora em que o paciente está sendo atendido, o que é fundamental para que ocorra o isolamento rapidamente”, afirmou.
“Por isso, teste diagnóstico é um pilar na saúde pública”.
Futuro
Já Renan Pedra, outro coordenador do Centro, explorou a estrutura do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), cuja construção está em fase avançada no BH-TEC. A previsão é que as primeiras operações na estrutura comecem no segundo semestre de 2026.
“Seremos capazes de fazer todo o ciclo do desenvolvimento de vacina nessa estrutura, algo que ainda não existe no Brasil. O que significa uma oportunidade de oportunidade para exportar produtos e, ainda, aproveitar a tecnologia já desenvolvida nas universidades”, afirmou.

O professor da UFMG ainda foi além e ressaltou o efeito multiplicador do CNVacinas. “Hoje, talvez, a criança e o adolescente não sonhem em ser cientistas. Mas, ao observar essas conquistas e investimentos, aumentaria a chance dessas novas gerações enxergarem como uma possibilidade de carreira.
O chefe de gabinete da Reitoria da UFMG, Rui Neves, também participou da audiência e enalteceu: “Estamos aqui falando da nossa independência para construir soluções de problemas que são nossos”.

Assim como o professor e membro da Academia Brasileira de Ciências, Marcelo Marcos Morales, que atuava como secretário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em dezembro de 2021, quando o convênio para a ampliação do Centro foi assinado.
“Ninguém acreditava que o país pudesse desenvolver uma vacina do começo ao fim e isso aconteceu. O CTVacinas desempenhou um grande papel no fortalecimento da soberania nacional”, explicou.
Rafaella Fortini, pesquisadora da Fiocruz Minas e associada ao CTVacinas, também foi uma das participantes da mesa.