O CTVacinas ocupou uma posição central em uma discussão internacional sobre o futuro das vacinas e o combate às doenças negligenciadas. Santuza Teixeira abriu o simpósio de encerramento do XIII Curso de Biologia Molecular de Tripanossomatídeos, no Instituto Butantan, com uma conferência sobre inovação em vacinas contra o Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas.
Na sequência, integrou o painel estratégico dedicado às fronteiras científicas e às lacunas prioritárias para a próxima década.
Ao lado do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallas, e do pesquisador André Tempone, Santuza discutiu os caminhos necessários para transformar o conhecimento produzido nos laboratórios em vacinas, medicamentos e outras soluções para o controle de doenças.
“Discutimos como transformar a pesquisa produzida nas universidades e nos institutos em resultados que possam ser utilizados no controle de doenças, como vacinas e novos medicamentos. Foi um debate importante, que colocou o CTVacinas e o Instituto Butantan em uma discussão de grande relevância”, afirma Santuza, coordenadora do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas de RNA (CTA-RNA) e integrante do comitê gestor do CTVacinas.

Próxima década
O painel “Fronteiras científicas e lacunas prioritárias para a próxima década” encerrou uma programação que percorreu diferentes etapas da resposta às tripanossomíases. O grupo de doenças parasitárias negligenciadas inclui a doença de Chagas e a leishmaniose, ainda marcadas por limitações no diagnóstico, na prevenção e no acesso a tratamentos.
A presença de Santuza em dois momentos centrais da programação colocou a experiência do CTVacinas em diálogo direto com lideranças científicas do Instituto Butantan e de instituições de diferentes países da América Latina. Pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai participaram das discussões.
A conferência de abertura apresentada pela pesquisadora abordou especificamente a inovação em vacinas contra o Trypanosoma cruzi. Em seguida, o painel ampliou a conversa para os obstáculos científicos, institucionais e tecnológicos que ainda dificultam a transformação de descobertas em produtos disponíveis para a sociedade.

Da bancada ao produto
Realizado entre os dias 3 e 7 de agosto, o curso discutiu a biologia dos tripanossomatídeos, regulação genômica, dinâmica celular, desenvolvimento de vacinas e medicamentos, ensaios clínicos e novas plataformas de diagnóstico. A programação também ofereceu treinamento prático e espaços de colaboração entre pesquisadores, estudantes e jovens cientistas.
A discussão acompanha uma das principais frentes de atuação do CTVacinas: desenvolver tecnologias próprias e construir as condições necessárias para que elas avancem da pesquisa básica às etapas clínicas e regulatórias. O Centro reúne plataformas dedicadas a vacinas, testes diagnósticos, RNA e terapias avançadas.
Entre os resultados desse trabalho está a SpiN-TEC, primeira vacina 100% desenvolvida no Brasil a alcançar os testes clínicos. A experiência acumulada nesse percurso amplia a contribuição do CTVacinas para debates nacionais sobre autonomia tecnológica, produção de imunizantes e transformação da ciência brasileira em soluções para a saúde.
Cooperação internacional
O curso foi promovido pelo International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology (ICGEB), criado em 1983 como um projeto da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, em colaboração com o Instituto Butantan.
A edição contou com apoio do Instituto Butantan, da Fundação Butantan, da Fapesp e da Capes. O encontro aproximou ciência básica, desenvolvimento tecnológico, ensaios clínicos e diagnóstico em torno de um desafio comum: ampliar as respostas disponíveis contra doenças que ainda atingem milhões de pessoas e recebem atenção insuficiente da indústria global.
