O excesso de peso aumenta o risco de diversos tipos de câncer, mas essa relação ainda passa despercebida para uma parcela expressiva da população: apenas 54,1% dos brasileiros reconhecem sobrepeso e obesidade como fatores de risco para a doença. A conexão entre obesidade, inflamação e desenvolvimento de tumores será tema da próxima edição da Série de Seminário CTVacinas, na quarta-feira (21), às 16h, no auditório do BH-TEC.
A participação é gratuita e dá direito a certificado digital. Inscreva-se gratuitamente. A palestra “Câncer e Inflamação: A Obesidade como Risco” será conduzida por João Viola, pesquisador titular, coordenador de Pesquisa e Inovação e vice-diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Inflamação e risco
A obesidade vai além do acúmulo de gordura corporal. Entre as alterações provocadas no organismo está um estado de inflamação crônica, apontado pelo INCA como um dos mecanismos envolvidos na associação entre o excesso de peso e o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
Esse processo pode se combinar a outras alterações, como níveis elevados de insulina e do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) e mudanças hormonais. Dependendo do tipo de câncer, esses mecanismos podem favorecer alterações celulares ou estimular o crescimento de células já modificadas.
A relação é estudada por Viola há anos. Em 2019, ao abordar caminhos para a prevenção do câncer em entrevista à revista Rede Câncer, do INCA, o pesquisador chamou atenção para o avanço das evidências na área. “Hoje existe um trabalho importantíssimo sobre a associação entre obesidade e diversos tipos de tumor. Isso deve ser expandido”, afirmou.
Dois anos depois, o próprio INCA registrou a participação de Viola em um seminário sobre câncer de intestino, no qual apresentou os riscos relacionados à obesidade e aos processos inflamatórios no desenvolvimento da doença.
Um fator ainda subestimado
Dados atualizados do INCA associam sobrepeso, obesidade e ganho de peso na vida adulta ao aumento do risco de uma série de tumores, entre eles cânceres de intestino, fígado, pâncreas, rins, endométrio e mama após a menopausa.
Apesar das evidências acumuladas, levantamento nacional divulgado em 2026 mostrou que o excesso de peso ainda é menos reconhecido como fator de risco para o câncer do que exposições como tabagismo, herança genética e exposição solar excessiva.
A palestra aproxima essa questão de uma das principais áreas de atuação científica de Viola: os mecanismos que regulam a resposta imunológica e sua relação com o desenvolvimento tumoral. No INCA, o pesquisador lidera linhas dedicadas à imunologia molecular, à transformação celular e à regulação da resposta imune antitumoral.
Trajetória na imunologia
João Viola é médico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Biologia Parasitária pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e doutor em Ciências Biológicas, com ênfase em Biofísica, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também desenvolveu atividades de pesquisa na Harvard School of Public Health, no Dana-Farber Cancer Institute e na Harvard Medical School.
Além da atuação como pesquisador titular, coordenador de Pesquisa e Inovação e vice-diretor do INCA, coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Genômica do Câncer e Medicina de Precisão para o SUS. É pesquisador 1A do CNPq, secretário-geral da International Union of Immunological Societies (IUIS) e integra o Conselho de Governança da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde.
Série de Seminário CTVacinas
A Série de Seminário CTVacinas promove encontros periódicos com pesquisadores e profissionais de diferentes instituições e áreas do conhecimento, ampliando a circulação científica e a troca entre estudantes, pesquisadores e profissionais ligados à ciência e à saúde.
Os encontros têm participação gratuita, com direito a certificado digital, e também são transmitidos pelo canal do CTVacinas no YouTube, onde as gravações ficam disponíveis posteriormente.