Alunos no estande do CTVacinas sobre RNA

“Uma experiência surreal”: cem jovens vivem imersão científica na UFMG e exploram o RNA com o CTVacinas

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Do curso técnico em Administração às possibilidades do RNA contra o câncer, a doença de Chagas e o Parkinson. Foi esse o caminho percorrido por Bárbara Vieira dos Reis, de Pindamonhangaba (SP), durante uma semana de imersão científica na UFMG, em Belo Horizonte.

Ela esteve entre os cem jovens selecionados para a oitava edição do Clubes de Ciência Brasil, realizada entre os dias 20 e 24 de julho. A iniciativa recebeu 153 inscrições. Do total, 59% vieram de escolas públicas e 59% tinham entre 14 e 17 anos. A programação, inteiramente gratuita, reuniu estudantes dos ensinos Fundamental e Médio e dos primeiros anos da graduação.

“Quando eu cheguei, foi totalmente diferente do que eu pensava. As palestras trazem informações importantes sobre a ciência e abrem a nossa mente para o que podemos fazer no futuro”, conta Bárbara, integrante do Clube de RNA.

Ciclo de palestras no Clubes de Ciência
Ciclo de palestras na oitava edição do Clubes de Ciência Brasil. Créditos: João Moura/CTVacinas

Ciência em movimento

Durante as manhãs, os participantes acompanharam palestras sobre temas como RNA, vacinas, câncer, inteligência artificial, empreendedorismo, comunicação científica e trajetórias acadêmicas. À tarde, dividiram-se em cinco clubes para realizar experimentos, desenvolver projetos e aplicar o conhecimento apresentado.

A edição recebeu três pesquisadores da Stanford University, nos Estados Unidos: Louise Lima, Vinícius Armelin e Sarah Sampaio. Eles vieram ao Brasil com apoio do Science Clubs International para ministrar palestras, orientar atividades e conversar diretamente com os estudantes.

“Os alunos estavam muito animados e fizeram perguntas muito boas. Conversamos sobre como estudar fora e construir uma candidatura bem-sucedida. Espero que eles sigam em frente e consigam enxergar essa possibilidade”, afirma Vinícius, que estudou no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e atualmente é doutorando em Stanford.

RNA em foco

Pela primeira vez, o CTVacinas assumiu a condução de um dos grupos práticos. Intitulado “RNA Revolution: a ciência do futuro”, o Clube de RNA apresentou aos estudantes o funcionamento da molécula, sua produção em laboratório e as aplicações que vêm transformando o desenvolvimento de vacinas e terapias.

“É possível utilizar o RNA mensageiro em diferentes frentes, desde a geração de vacinas até o tratamento do câncer. Espero que esse contato inspire os estudantes a continuar produzindo ciência de qualidade no nosso país”, afirma Caroline Leonel, palestrante da programação.

As atividades também enfrentaram dúvidas e informações falsas disseminadas sobre a tecnologia. Os estudantes conheceram as vacinas de RNA mensageiro, discutiram aplicações terapêuticas e desenvolveram miniprojetos para resolver problemas de saúde.

“Eles conseguiram replicar o que apresentamos durante as oficinas. Ao final, eram alunos do Ensino Médio explicando o que é uma vacina de RNA mensageiro e discutindo desinformação com o público. Para o CTVacinas, é muito importante fazer pesquisa e, ao mesmo tempo, construir essa interface com a sociedade”, destaca Nathalia Pereira, do CTVacinas.

Estande do CTVacinas sobre RNA no Clubes de Ciência
Estande do CTVacinas sobre RNA no Clubes de Ciência. Créditos: João Moura/CTVacinas

Jovens explicam ciência

A programação terminou com a Feira de Ideias. Depois de uma semana acompanhando pesquisadores e instrutores, os estudantes assumiram a apresentação dos projetos, utilizando maquetes, modelos interativos e demonstrações para compartilhar o que haviam aprendido.

Isabela Vilela integrou o grupo que investigou o uso de medicamentos baseados em RNA mensageiro no tratamento de diabetes, hipertensão e infecções bacterianas. “Foi uma experiência muito surreal, com instrutores de diferentes partes do país, relatos sobre a carreira acadêmica e pesquisas que estão sendo realizadas”, conta.

Stephanie Luiza Pereira Simão escolheu explicar como as vacinas de RNA mensageiro atuaram durante a pandemia. Diante dos visitantes, falou sobre DNA, RNA, proteína Spike e memória imunológica. “Foi uma vacina que realmente revolucionou e salvou diversas vidas ao longo da pandemia”, afirmou.

O resultado sintetizou a proposta conduzida pelo CTVacinas durante os cinco dias. “Queríamos mostrar como trabalhamos com RNA, suas aplicações e como essa molécula é produzida em laboratório. Na feira, os alunos apresentaram o que aprenderam por meio de maquetes interativas e demonstraram que compreenderam muito bem o assunto”, avalia Ana Flávia Braz, do CTVacinas.

Jovens explicam ciência no estande do CTVACINAS Clubes de Ciência
Jovens assumem protagonismo e explicam ciência no estande do CTVacinas. Créditos: João Moura/CTVacinas

Uma rede permanente

Criado em 2014, o Clubes de Ciência Brasil promove oficinas gratuitas, mentorias e conexões entre jovens e pesquisadores. Até 2025, a iniciativa havia alcançado 830 estudantes em 50 clubes realizados ao longo de sete edições.

Em Minas Gerais, o projeto de extensão começou a ser estruturado há cerca de dois anos e meio. O encontro presencial acontece anualmente, mas os participantes permanecem conectados a uma rede de informações, colaboração e oportunidades depois do encerramento das atividades.

A edição na UFMG contou com apoio do CTVacinas, do CT-Terapias e do Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Além da gratuidade das atividades, os cem participantes receberam café da manhã, almoço e lanche durante toda a programação.

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