Pesquisadores que integram a coordenação do CTV-RNA participam de um projeto de R$ 5 milhões para desenvolver uma terapia de RNA contra as hemofilias A e B. A iniciativa é conduzida pela Unidade Embrapii Inovação de Fármacos e Vacinas (FarmaVax), da UFMG, em parceria com a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).
Participam da pesquisa Santuza Teixeira e Pedro Guimarães, respectivamente coordenadora e subcoordenador do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA, vinculado ao CTVacinas. A proposta é levar às células instruções para produzir proteínas essenciais à coagulação do sangue, cuja deficiência caracteriza a hemofilia.

“O projeto com a Hemobrás foi feito via unidade Embrapii FarmaVax em uma temática de pesquisa do CTV-RNA”, explica Guimarães.
Em entrevista à equipe de comunicação do CTVacinas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, citou a parceria com a Hemobrás para as hemofilias A e B ao destacar a atuação da instituição. “O CTVacinas se consolida como a grande referência nacional e internacional”, afirmou.
RNA para produzir proteínas
A hemofilia dificulta a coagulação do sangue e pode provocar sangramentos prolongados ou espontâneos. Nas formas A e B, o problema está relacionado à deficiência dos fatores VIII e IX, respectivamente. A condição atinge mais de 14 mil pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.
A abordagem em pesquisa busca fazer com que as células produzam os fatores de coagulação de que o organismo necessita. O projeto prevê o uso de nanopartículas como sistemas de entrega do material genético, conforme informações do Ministério da Saúde.
A tecnologia está em pesquisa e desenvolvimento. O trabalho mobiliza a experiência dos pesquisadores com RNA, também utilizada no desenvolvimento de vacinas, para investigar uma nova possibilidade de tratamento.
Pesquisa conectada à indústria
O acordo foi formalizado em 2 de outubro, em São Paulo, com a participação da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). A assinatura reuniu o reitor da UFMG, Alessandro Moreira, o ministro Alexandre Padilha e representantes das instituições envolvidas.

O projeto ocorre no âmbito do CT Terapias Avançadas, liderado pelo professor Mauro Teixeira e integrante da FarmaVax, unidade coordenada pelo professor Rubén Darío Sinisterra. A equipe também conta com pesquisadores de pós-graduação.
O investimento anunciado reúne recursos da Hemobrás, da Embrapii e da UFMG/FarmaVax. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Hemobrás atua no fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) de medicamentos derivados do sangue ou obtidos por engenharia genética.
“Esse trabalho representa a validação do conhecimento que é gerado na universidade, pois transforma esse conhecimento em processos e produtos, transpondo a tecnologia do ambiente acadêmico para a indústria. Essa é a importância da universidade pública e da pesquisa”, afirmou Guimarães à UFMG.