O Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA) nem completou dois meses desde a criação oficial e já acumula reconhecimentos científicos. Integrantes do Centro conquistaram menção honrosa no Prêmio Capes de Tese, menção honrosa entre os cinco melhores trabalhos do Congresso Mundial de Inflamação e os prêmios de melhor apresentação oral e melhor pôster no CRS Brazil 2026, encontro da Controlled Release Society.
Os reconhecimentos foram concedidos a Lays Cordeiro, Mayra Ricci, Flávia Alves França e Ana Luiza de Castro Santos, por pesquisas que envolvem vacinas de DNA e RNA, terapias para doença de Chagas, nanopartículas lipídicas e novas estratégias para fibrose pulmonar. Em comum, os trabalhos mostram a diversidade de aplicações científicas já reunidas em torno do novo Centro.
As premiações evidenciam competências fundamentais para o desenvolvimento de novas vacinas e terapias, como desenho de imunizantes, entrega de ácidos nucleicos, uso de nanopartículas e pesquisa translacional – áreas que o CTV-RNA passa a organizar e ampliar a partir da trajetória científica construída pelo CTVacinas.
RNA contra Chagas
No Congresso Mundial de Inflamação, Mayra Ricci apresentou uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de terapias de RNA para a doença de Chagas. A edição deste ano reuniu também o INFLAMMA, da Sociedade Brasileira de Inflamação, e o encontro da Sociedade Brasileira de Imunologia.
O trabalho foi apresentado em formato de pôster, na categoria de residente pós-doutoral, e avaliado por pesquisadores da área de vacinas. Ao fim do congresso, recebeu menção honrosa como um dos cinco melhores trabalhos de todo o evento.

Mayra destaca que o caráter translacional foi um dos eixos da programação, justamente a perspectiva que orienta sua pesquisa. “Estou trabalhando com terapias de RNA para o tratamento da doença de Chagas, com foco também na formação de novos pesquisadores que possam contribuir concretamente para a saúde pública”, afirma.
A pesquisadora é residente pós-doutoral e membro da equipe do CTV-RNA, sob supervisão da Coordenadora do Centro, Santuza Teixeira. Em diálogo com a missão do Centro, a frente de pesquisa de Mayra é direcionada justamente ao desenvolvimento de tecnologias baseadas em RNA conectadas a problemas de saúde relevantes para o país e à criação de capacidade científica para que essas soluções avancem no Brasil.
Uma tese entre os destaques
Lays Cordeiro recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese, na área de Ciências Biológicas II, pelo trabalho Vacina de DNA baseada em nanopartículas lipídicas protege contra variantes do SARS-CoV-2 em modelos animais. Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Fisiologia e Farmacologia da UFMG, a tese foi orientada por Pedro Guimarães, subcoordenador do CTV-RNA.

O trabalho começou em 2020, em meio à pandemia de Covid-19. A estratégia combinou DNA e nanopartículas lipídicas buscando, entre outros aspectos, uma alternativa com maior estabilidade de armazenamento.
“A gente pensou no DNA por ser muito mais estável e conseguir ser armazenado em geladeira, o que facilita bastante”, explica Lays. A pesquisa também foi conduzida em condições de maior contenção biológica, uma exigência que tornou o desenvolvimento experimental mais complexo.
Atualmente, Lays realiza pós-doutorado junto ao CTVacinas com Pedro Guimarães e integra a estrutura científica relacionada ao CTV-RNA. A menção honrosa coloca sua tese entre os trabalhos de destaque nacional reconhecidos pela Capes naquele ano e área.
Duas premiações no CRS
As outras duas conquistas vieram do CRS Brazil 2026, promovido no âmbito da Controlled Release Society, organização internacional dedicada às tecnologias de liberação e entrega de fármacos.
Flávia Alves França recebeu o Best Oral Presentation Award com o trabalho sobre engenharia e avaliação pré-clínica de nanopartículas lipídicas para entrega de mRNA contra o vírus chikungunya. Ana Luiza de Castro Santos conquistou o Best Poster Presentation Award por uma pesquisa sobre formulação oral de um complexo inibidor da via Wnt, com foco em fibrose pulmonar.

“É a sociedade mais importante na área de drug delivery, de materiais, que é justamente o que usamos para entregar os nossos ácidos nucleicos, como o RNA”, reforça Pedro Guimarães, orientador das pesquisadoras.
Essa competência em sistemas de entrega é uma das bases para transformar moléculas como RNA e DNA em tecnologias capazes de chegar às células e exercer sua função. Por isso, conhecimentos desenvolvidos nessa área atravessam diferentes projetos reunidos no novo Centro.
Competência construída no CTVacinas
Criado a partir da trajetória científica e da estrutura do CTVacinas, o CTV-RNA recebeu R$ 60 milhões do Ministério da Saúde para quatro anos e reúne atividades de pesquisa, formação de profissionais, desenvolvimento de protocolos, conexão com empresas e transferência de tecnologia.
As quatro premiações mostram uma dimensão importante dessa construção: antes mesmo de ser uma nova estrutura institucional, o Centro reúne pesquisadores e competências que já produzem conhecimento reconhecido em diferentes áreas relacionadas às tecnologias de ácidos nucleicos, imunologia e sistemas de entrega.